Gabriel Thiago

Designer · São Paulo

Designer em São Paulo: uma história que começou no FrontPage

A curiosidade que se transformou em uma carreira.

Designer em São Paulo: uma história que começou no FrontPage

Eu comecei a criar sites muito antes de saber criar sites.

Devia ter uns 14 anos, talvez até um pouco menos, quando tive uma ideia bastante modesta para alguém daquela idade: criar um grande portal sobre games.

Queria ter notícias, novidades, detonados, tutoriais, dicas e tudo mais que alguém apaixonado por videogame pudesse procurar. Na minha cabeça, estava tudo muito bem resolvido. O único pequeno problema era que eu não sabia absolutamente nada de HTML, CSS ou JavaScript.

Na verdade, eu provavelmente nem sabia direito o que era cada uma dessas coisas.

E aprender desenvolvimento web naquela época era um pouco diferente. Não existia essa quantidade absurda de vídeos, cursos, documentação, comunidades e ferramentas que temos hoje. YouTube ainda não era o lugar onde você pesquisava “como fazer um site” e saía duas horas depois achando que estava pronto para abrir uma startup.

O que eu tinha era um computador, curiosidade e o Microsoft FrontPage.

Antes de ser designer, eu brincava de fazer sites

Para quem nunca teve o prazer, o FrontPage era uma ferramenta da Microsoft para criação de páginas HTML de maneira visual. Você arrastava coisas, montava tabelas, colocava imagens e, com alguma sorte, aquilo terminava parecendo um site.

Os meus pareciam sites.

O que, aos 14 anos, já era uma vitória considerável.

Eu criava algumas páginas, tentava fazer navegação, colocava banners e imaginava aquele grande portal de games funcionando. Nenhum deles chegou realmente a ver a luz do dia, mas ali começou uma coisa que acabou ficando comigo.

Também passei bastante tempo criando páginas e mexendo nos MSN Groups e em outras pequenas comunidades da internet daquela época.

Sem perceber, comecei a entrar nesse universo de criação digital.

Se eu precisava de um banner para uma página, tinha que aprender a editar uma imagem. Se queria mudar alguma coisa no site, precisava entender um pouco mais de HTML. Uma coisa puxava a outra.

Foi assim que comecei a mexer com ferramentas de edição de imagem, criar banners, testar layouts e colocar as primeiras linhas de código na tela.

Só que durante alguns anos isso continuou sendo exatamente isso: curiosidade.

Até virar trabalho.

Meu primeiro trabalho como designer no Brooklin

Aos 18 anos apareceu a primeira oportunidade de trabalhar profissionalmente com aquilo.

Um conhecido tinha uma agência de e-commerce no Brooklin, em São Paulo, sabia que eu gostava de Photoshop e de trabalhar com imagens e me chamou para ajudar.

Foi meu primeiro emprego na área.

Comecei criando principalmente banners e peças para lojas virtuais. A plataforma, se minha memória não estiver me traindo, era a CiaShop.

E foi trabalhando com e-commerce que aquela pequena experiência que eu tinha com HTML começou a crescer de verdade.

Porque uma coisa é abrir o FrontPage em casa e tentar descobrir onde colocar uma imagem.

Outra é existir um cliente esperando que aquilo funcione.

Foi nesse período também que decidi que queria realmente seguir nessa área.

Encontrei o curso de Design Digital na Anhembi Morumbi, que ficava relativamente perto de onde eu trabalhava, e passei a estudar e trabalhar ao mesmo tempo.

Isso acabou sendo uma combinação muito boa.

Quando cheguei à faculdade, algumas ferramentas e assuntos técnicos já faziam parte da minha rotina profissional. Em compensação, toda a parte de teoria do design era nova para mim.

Foi onde comecei a entender melhor composição, tipografia, cor, comunicação e uma série de coisas que até então eu fazia muito mais por tentativa, referência e instinto.

O trabalho me ensinava a fazer.

A faculdade começou a me ajudar a entender por quê.

Do design gráfico ao front-end em São Paulo

Depois daquela primeira experiência, passei por uma administradora da área de saúde trabalhando como designer.

Era um trabalho muito mais voltado para criação de peças gráficas e artigos. Foi um período em que evoluí bastante no Photoshop, principalmente criando composições, efeitos e trabalhando melhor a parte visual.

Mas eu ainda sentia falta da web.

Foi quando surgiu uma oportunidade em uma empresa de desenvolvimento de software na Chácara Santo Antônio, em São Paulo.

Ali minha carreira começou a pender muito mais para o front-end.

Passei a trabalhar com criação de sites em WordPress, aprofundar HTML e CSS, entender melhor JavaScript e acompanhar projetos que iam muito além da parte visual.

Foi também onde comecei a colocar o pé em outras tecnologias, incluindo Angular, e a entender um pouco melhor o que acontecia do outro lado do front-end.

Não virei um back-end disfarçado, mas passei a entender muito melhor o sistema inteiro.

E isso mudou bastante a maneira como eu pensava design.

De designer júnior a designer, desenvolvedor e algumas outras coisas

Depois entrei na Inside Mídia, na Vila Olímpia, onde minha trajetória acabou ficando ainda mais multidisciplinar.

Entrei como designer júnior.

Só que o tipo de trabalho que aparecia dificilmente respeitava muito bem os limites de um cargo.

  • Em um projeto eu estava criando uma peça.
  • Em outro, uma interface.
  • Depois um site.
  • Depois WordPress.
  • Depois HTML, CSS e JavaScript.
  • Depois alguma integração.
  • Depois um sistema inteiro.
  • E fui gostando justamente dessa mistura.

Com o tempo passei de designer júnior para web designer pleno, me tornei sócio minoritário da empresa e continuei ampliando bastante o tipo de projeto em que conseguia trabalhar.

Foi provavelmente o período em que mais evoluí tecnicamente.

WordPress acabou se tornando uma ferramenta muito presente no meu trabalho, mas junto dele vieram cada vez mais desenvolvimento front-end, sistemas, interfaces, produtos digitais, integrações, automações e, mais recentemente, inteligência artificial.

A empresa também saiu da rotina exclusivamente presencial na Vila Olímpia e meu trabalho passou a ser remoto, formato em que continuo trabalhando hoje.

Afinal, designer ou desenvolvedor?

Hoje eu ainda demoro um pouco para responder quando alguém pergunta exatamente o que eu faço.

Dependendo do projeto, designer digital é uma resposta correta.

Web designer também.

Desenvolvedor front-end também.

Em outros casos, estou atuando como desenvolvedor de sites, criando um sistema, pensando em experiência de usuário, arquitetura de uma solução ou usando inteligência artificial para descobrir uma maneira completamente diferente de fazer aquilo.

Depois de algum tempo, parei de tentar fazer tudo caber perfeitamente em um único título.

Meu trabalho acabou se formando justamente no encontro entre design e tecnologia.

Continuo baseado em São Paulo, mas hoje o endereço do trabalho importa muito menos. Trabalho de forma remota e posso desenvolver projetos para pessoas e empresas de São Paulo, de outras regiões do Brasil ou de fora do país.

Brooklin, Chácara Santo Antônio e Vila Olímpia foram pontos importantes dessa trajetória, mas hoje minha mesa pode estar em praticamente qualquer lugar.

O site de games nunca saiu

Talvez a parte mais curiosa dessa história toda seja que aquele grande portal de games que eu imaginava quando era adolescente nunca existiu.

Pelo menos não de verdade.

Ele teve algumas telas, banners questionáveis, páginas no FrontPage e provavelmente algumas escolhas tipográficas que é melhor deixar perdidas no passado.

Mas ele cumpriu uma função bem mais importante.

Foi tentando criar aquele site que comecei a editar imagens.

Foi editando imagens que me aproximei do design.

Foi pelo design que comecei a trabalhar com web.

E foi trabalhando com web que fui chegando ao front-end, aos sistemas, aos produtos digitais e às tecnologias com que trabalho hoje.

Então talvez aquele primeiro site nunca tenha ido ao ar.

Mas, de certa forma, foi ele que me colocou aqui.